A exposição temporária “Saar Snoek. Feltro Vivo: um Manifesto”, reúne mais de 30 peças que revelam a amplitude criativa deste material. Entre elas, destaca-se Sottobosco, uma escultura de cabeça do Atelier-Musée du Chapeau, em Chazelles-sur-Lyon (França), distinguida em 2025 com o Prémio Stephen Jones. Uma obra que, ainda que próxima da tradição da chapelaria, evidencia a sua dimensão escultórica e experimental.
Mas a exposição vai mais além e ultrapassa os limites territoriais do chapéu ao apresentar também uma peça de Wearable Art, como Wild Things, proveniente do Felto – Filzwelt Soltau, na Alemanha. Nesta criação, Saar Snoek aproxima escultura, biologia e moda, criando uma forma híbrida onde ressoam dinâmicas de atração, estratégias de sobrevivência e padrões ornamentais do mundo natural. Entre o estranho e o familiar, a artista constrói uma “nova pele”, simultaneamente protetora e magnética… como se um ouriço-do-mar encontrasse um pavão ou uma lesma-do-mar dialogasse com uma dioneia.
“Feltro Vivo: um Manifesto” apresenta-se como uma tomada de posição sobre o potencial do feltro enquanto matéria e enquanto forma de expressão. É um convite à experimentação e reinvenção. Um apelo a ultrapassar limites materiais, formais e, sobretudo, criativos, e a reconhecer no feltro não apenas o que foi, mas tudo aquilo que já é e o que ainda pode vir a ser.